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Morrer.
Você morrendo.
Sabendo disso.
Vivendo isso. No fundo do organismo.
Sabendo que não há ponte.
Não há remédio.
Deixar na lembrança os sabores do paraíso.
Aquela música que zumbia distorcendo o ouvido. De lá tirando novas cavidades e um sorriso honesto.
Nada disso. Nada resta. É silêncio mudo e escuridão das trevas anoitecidas.
É juntar-se à imensa irmandade que teve sua cota de tempo e agora repousa humildemente devorada.
Quantas dores!
Caralho! Quantas dores já foram vividas!
As angústias da vida.
Pra Schopenhauer e pra Nietzsche.
É absurdo o preciosismo de tudo o que existe.
É preciso calar, ouvir bem, olhar atentamente, dobrar os joelhos para o Universo e agradecer.
Quantas idéias nós todos já tivemos?
Choro de absurdância.
Um choro não vazio como as palavras.
Tanta dor! Tanto o que aprender, ver, ouvir, sentir, fazer, falar, ir, ir!
O que eu quero fazer?
Morrerei tranquilo?
Morrer é doloroso.
Morrer é a falência dolorosa de trilhões de células, colapsadas pela insuficiência.
Agora eu posso. Depois não posso mais.
Agora eu não quero. Depois não vou poder.
Pela falta de poder. Que pelo visto não é meu, tomo emprestado do Universo, do Sol, da Terra da qual faço parte.
O Ser Humano não deve desaparecer. Não pode. É nossa responsabilidade. Somos a manifestação da Consciência do Universo.
Pela lógica, isso não dá pra negar. Navegar é preciso, passando o bastão com sabedoria.
Quem se dá o direito de destruir a Natureza? Você não tem essa opção. Essa não é uma opção. Está acima de todas as coisas. Cuidar da Terra, para que os descendentes venham de onde estiverem para testemunhar o Sol engolindo a Terra, numa cerimônia sagrada. Testemunhar a cremação de todos nós, os ancestrais. É preciso cuidar para que seja possível. E seguir ainda por muito tempo o curso inevitável da evolução.